quarta-feira, 27 de maio de 2009
Capacete de pano
percebi que minha voz ouvia relãmpagos no sertão,
repleto de vinhedos de sonhos açucarados de paz.
O gato que é gato quando cai, vira camelo
de tão arrepiado fica com sua revolição,
que ontem foi revolução contra as malcriações governa-mentais.
A abelha de cabeça pra baixo pousou no meu teclado
e anunciou a tua bondade de ler esse fluxo descabinado.
Ai, que velocidade! Louco estou pra te ver coração.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
Go on before its too late
A party.
Dance!
Arms, legs, and hips
working in perfect harmony!
The way movements speak...
glances that lift the dancer
above his daily worries.
The youngs are so lovely!
Believe me, there is nothing
like finding one another --
when there is music
that warms the heart.
Two hands clasped together
one foot senses where
the other will step
and follows, no matter
where the other leads.
Because one believes
thar every turn and swing
will be like flying
from now on,
Who knows - perhaps
it is flying.
Go on, young man...
before its too late"
autor desconhecido
segunda-feira, 4 de maio de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
Cheiro de Sol

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Feira de antiguidades e bujigangas velhas:
as moedas, as xícaras, os cálices, os relógios e as máquinas de retratos.
Tantas coisinhas, caixinhas de música, colares, taças e leques lindos e coloridos.
A feira é uma festa para os olhos, um carnaval de cores.
Gente circulando, o sol irradiando raios em todas as direções,
mostra seu calor e sua luz.
O cheiro de velharia é forte e impregna.
Ah, cheiros e odores.
Foi nesse domingo, que ouvi: o sol da manhã tem cheiro, sabia!
Relutei a princípio e de novo ouvi:
o sol das manhãzinhas emite nos raios um tênue odor de ultravioleta.
Fui capaz de senti-lo, num flash muito rápido no Alto da Boa Vista.
Tão surpreendente é a força da lembrança,
me trouxe de volta à consciência os banhos de luz em Caçapava.
Agora sei o que é cheiro de sol...
Não tem nada a ver com o cheiro das bugigangas coloridas e bolorentas.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Tereza
Olho Teresa como se olhasse o retrato de uma antepassada que tivesse vivido em outro século. Ou como se olhasse um vulto em outro continente, através de um telescópio. Vejo-a como se cobrisse a poeira tenuíssima ou o ar quase azul que envolvem as pessoas afastadas de nós muitos anos e léguas.
Posso dizer dessa moça a meu lado que é a mesma Teresa que durante todo o dia de hoje, por efeito do gás do sonho, senti pegada a mim?
Esta é a mesma Teresa que na noite passada conheci em toda intimidade? Posso dizer que a vi, falhei-le, posso dizer que a tive em toda intimidade? Que intimidade existe maior que a do sonho? A desse sonho que ainda trago em mim como um objeto que me pesasse no bolso?
Ainda me parece sentir o mar do sonho que inundou meu quarto. Ainda sinto a onda chegando à minha cama. Ainda me volta o espanto de despertar entre móveis e paredes que eu não compreendia pudessem estar enxutos. E sem nenhum sinal dessa água que o sol secou mas de cujo contacto ainda me sinto friorento e meio úmido (penso agora que seria mais justo, do mar do sonho, dizer que o sol o afugentou, porque os sonhos são como as aves, não apenas porque crescem e vivem no ar).
Teresa aqui está, ao alcance de minha mão, de minha conversa. Por que, entretanto, me sinto sem direitos fora daquele mar? Ignorante dos gestos, das palavras?
O sonho volta, me envolve novamente. A onda torna a bater em minha cadeira, ameaça chegar até a mesa. Penso que, no meio de toda essa gente de terra, gente que parece ter criado raízes, como um lavrador ou uma colina, sou o único a escutar esse mar.
Talvez Teresa...Talvez Teresa... sim, quem me dirá que esse oceano não nos é comum?
Posso esperar que esse oceano nos seja comum? Um sonho é uma criação minha, nascida de meu tempo adormecido, ou existe nele uma participação de fora, de todo o universo, de uma geografia, sua história, sua poesia?
O arbusto ou a pedra aparecida em qualquer sonho pode ficar indiferente à vida de que está participando? Pode ignorar o mundo que está ajudando a povoar? É possível que sintam essa participação, esses fantasmas, essa Teresa, por exemplo, agora distraída e distante? Há algum sinal que faça compreender termos sido, juntos, peixes de um mesmo mar?
Donde me veio a idéia de que Teresa talvez participe de um universo privado, fechado em minha lembrança, desse mundo que através de minha fraqueza eu me compreendi ser o único onde será possível cumprir os atos mais simples, como por exemplo caminhar, beber um copo de água, escrever meu nome, nada, nem mesmo Teresa.
João Cabral de Melo Neto
segunda-feira, 6 de abril de 2009
A une passante
À une passante
La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d'une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l'ourlet;
Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l'ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.
Un éclair... puis la nuit!
— Fugitive beauté
Dont le regard m'a fait soudainement renaître,
Ne te verrai-je plus que dans l'éternité?
Ailleurs, bien loin d'ici! trop tard! jamais peut-être!
Car j'ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ô toi que j'eusse aimée, ô toi qui le savais!
— Charles Baudelaire
segunda-feira, 30 de março de 2009
Mudanças negadas
Por que as pessoas têm dificuldade de mudar?
Por que eu não mudo? Porquê?
Que resistências são essas que impedem a liberdade?
Prisões psicológicas, masmorras morais,
cativeiros das almas e calabouços da criatividade.
Presídios do destino, das desgraças e sofrimentos.
Onde estão as chaves? Onde está o chaveiro?
Quebrarei com os grilhões e soltarei a todos...A todos!
E que criaturas sairão das prisões, após abrir suas pesadas portas?
Ah vida, quanto medo de mim mesmo.

